sexta-feira, 3 de junho de 2011

Lianas


As plantas trepadeiras são componentes importantes das comunidades florestais. Trepadeiras lenhosas são conhecidas comumente como cipós ou lianas, e seus ramos, usando árvores ou outras lianas como suporte, podem atingir o dossel da floresta e aí se desenvolver muito, entrelaçando-se em várias árvores e podendo atingir diâmetros de 15 cm e comprimentos de até 70 m, já que suas copas podem ser tão grandes como a das árvores que as sustentam (Putz, 2006).

Constituem uma parte significativa da biomassa da floresta e de sua área foliar, e portanto acabam competindo com as árvores, além de interferir na sua simetria de crescimento e taxas de mortalidade. Pelos efeitos potenciais sobre as árvores, as lianas sempre foram consideradas pragas do ponto de vista do manejo florestal (Engel et al, 1998) porque podem se enrolar nos troncos que lhes servem de suporte a ponto de impedir seu desenvolvimento normal e dificultar a circulação da seiva ou mesmo causar estrangulamentos fatais, ou tendem a se espalhar com tanta eficiência sobre as copas, que roubam a luz necessária às árvores de apoio, por isso os silvicultores e madeireiros adeptos de práticas racionais fazem o corte seletivo de cipós nas florestas manejadas.

Porém, nos últimos 10 anos, os pesquisadores começaram a perceber e ressaltar os efeitos positivos dos cipós e lianas. Não só porque muitas espécies fazem parte das ‘farmácias naturais’ – utilizadas como medicamento por caboclos, índios e até vendidas como fitoterápicos nas cidades – como também por seu papel relevante na dinâmica de regeneração e manutenção da biodiversidade florestal como uma importante fonte de alimento para muitos animais, sobretudo porque florescem e frutificam na estação seca, exatamente quando a disponibilidade de nutrientes é crítica para os arborícolas (Terra da gente, 2010).

As trepadeiras diferenciam-se quanto ao modo de ascensão e diferentes sistemas de classificação têm sido propostos. O estabelecimento de quatro categorias parece adequado: 1) trepadeiras volúveis, que se enrolam em torno de um suporte por meio do caule principal, dos ramos e, mais raramente, dos pecíolos; 2) trepadeiras com gavinhas, que apresentam estruturas modificadas em gavinhas de origem diversa (caulinar, foliar, etc.); 3) trepadeiras por raízes, que utilizam raízes adventícias para se fixar ao suporte; e 4) trepadeiras apoiantes, que apóiam passivamente sobre um suporte, podendo utilizar espinhos ou ganchos para evitar o deslizamento (Durigon et al, 2009).

As primeiras contribuições sobre hábito de vida foram feitas por Darwin (1867), mas apenas recentemente os pesquisadores em ecologia voltaram à atenção a este importante grupo de plantas.

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